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Regime venezuelano lança indiretas ao Brasil após veto ao Brics e cita “ameaças” contra quem desafiar Caracas

  • Foto do escritor: leonardothurler
    leonardothurler
  • 31 de out. de 2024
  • 3 min de leitura

Com publicação provocativa nas redes, Venezuela responde ao governo brasileiro após veto ao Brics e gera novo atrito diplomático; silhueta de Lula é usada em imagem de desafio



Polícia Nacional da Venezuela publicou foto com provocação ao Brasil — Foto: Reprodução


Em um novo episódio da tensão diplomática entre o Brasil e a Venezuela, a Polícia Nacional Bolivariana, sob o comando do chavismo, divulgou em suas redes sociais uma imagem controversa. A publicação traz uma silhueta de um homem de barba grisalha — semelhante à imagem do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva — ao lado da bandeira do Brasil, acompanhada da frase “Quem mexe com a Venezuela se dá mal”. A imagem também traz a mensagem de que Caracas “não aceita chantagens de ninguém”, sem mencionar explicitamente o nome de Lula, mas sugerindo uma forte resposta ao Brasil.


A relação entre os dois países deteriorou-se após a eleição presidencial na Venezuela, em julho, em que Nicolás Maduro foi declarado vencedor, apesar das denúncias de fraude e rejeição internacional. A situação se agravou quando o governo brasileiro vetou a entrada da Venezuela no grupo dos Brics, composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Esse veto parece ter sido o estopim para a série de declarações do regime chavista, que agora direciona suas críticas ao governo brasileiro.


Ação e reação


O post venezuelano foi marcado com a hashtag “Quem mexe com a Venezuela se dá mal” e citou Diosdado Cabello, ministro do Interior da Venezuela e figura influente do chavismo. Cabello, em diversas ocasiões, criticou abertamente as ações de membros do governo brasileiro, embora Nicolás Maduro, até o momento, tenha evitado mencionar o nome do presidente Lula diretamente.


Em resposta à escalada da tensão, o Ministério das Relações Exteriores da Venezuela convocou seu embaixador em Brasília para consultas, como anunciado nesta quarta-feira (30). As declarações do conselheiro especial do presidente Lula para assuntos internacionais, Celso Amorim, intensificaram as tensões. Amorim, em audiência no Congresso brasileiro, comentou que a resposta venezuelana ao veto foi “desproporcional” e lamentou que Caracas tenha acusado o presidente Lula e a chancelaria brasileira de servirem a interesses externos. Em contrapartida, Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional da Venezuela e aliado próximo de Maduro, declarou que pedirá ao Legislativo que Amorim seja declarado “persona non grata”.


Provas e acusações


No centro das acusações estão as denúncias de irregularidades eleitorais que colocaram em xeque a vitória de Maduro, apontadas por entidades independentes como um possível desvio da verdadeira votação. A oposição apresentou documentos que supostamente comprovam a vitória de Edmundo González, atualmente exilado na Espanha. Com esses documentos verificados por fontes independentes, a situação ganhou ainda mais força entre os opositores do regime, embora o governo venezuelano tenha mantido sua posição sobre o resultado eleitoral.


As provocações recentes, no entanto, vão além do conflito eleitoral. Acusações de ligações com os Estados Unidos e uso de rótulos como “imperialistas” para referir-se aos críticos, inclusive Amorim, revelam a disposição do governo de Maduro em intensificar o discurso para fortalecer sua posição interna e sua defesa frente a desafios internacionais.


O futuro da relação bilateral


A deterioração das relações entre Brasil e Venezuela acende alertas em especialistas sobre a possibilidade de um distanciamento maior entre os dois países, que compartilham uma extensa fronteira e interesses econômicos e diplomáticos na América do Sul. No entanto, a postura do governo brasileiro e os esforços de diplomacia podem ser essenciais para evitar que a crise se prolongue.


Continue acompanhando as atualizações sobre a diplomacia na América Latina. Não deixe de ler nossas outras análises sobre a política internacional e como ela impacta diretamente o Brasil e o mundo.

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