Pobreza no RJ alcança menor nível desde 2012; 21% da população ainda enfrenta miséria
- leonardothurler
- 4 de dez. de 2024
- 2 min de leitura
Dados do IBGE revelam avanço significativo, mas desafios persistem em relação à desigualdade social e inclusão econômica.

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
O estado do Rio de Janeiro registrou, em 2023, o menor índice de pobreza desde o início da série histórica em 2012, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar do progresso, ainda existem 2 em cada 10 fluminenses vivendo abaixo da linha da pobreza, o equivalente a 21% da população.
De acordo com o estudo, 929 mil pessoas saíram da extrema pobreza no estado entre 2022 e 2023. Este avanço acompanha uma tendência nacional, com o Brasil reduzindo a pobreza de 31,6% para 27,4% no mesmo período.

Cenário no Rio de Janeiro
A linha de pobreza definida pelo Banco Mundial inclui famílias com renda de até R$ 665 por mês por pessoa. No Rio, a taxa de pobreza caiu de 26,6% em 2022 para 21% em 2023, com destaque para a Região Metropolitana, onde o índice reduziu de 25% para 19,7%.
André Simões, pesquisador do IBGE, apontou que o mercado de trabalho tem papel central nesta recuperação:
"A dinâmica do mercado de trabalho impacta diretamente nos indicadores. Apesar das quedas, o estado ainda apresenta taxa de desocupação acima da média do Sudeste."

Desafios persistentes
Mesmo com a melhora, diversas famílias permanecem em situação de vulnerabilidade. Em Queimados, na Baixada Fluminense, histórias como a de Lindaci da Silva e Jairo destacam as dificuldades. Após perder a visão por causa de um glaucoma, Jairo teve que parar de trabalhar, deixando o casal dependente de R$ 600 mensais.
Casos semelhantes refletem uma realidade que vai além dos números: a falta de acesso a programas sociais, oportunidades no mercado de trabalho e assistência básica são entraves para milhões de brasileiros.
O impacto nacional
A redução da pobreza extrema no Brasil em 2023 é atribuída a dois fatores principais: expansão de programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, e a recuperação gradual do mercado de trabalho.
Segundo os critérios do Banco Mundial, a pobreza extrema abrange indivíduos com renda inferior a R$ 209 por mês, enquanto a pobreza geral considera renda até R$ 665 mensais. Programas sociais foram fundamentais para evitar um aumento na extrema pobreza, que poderia ter dobrado sem a ajuda governamental.
Desigualdades regionais e demográficas
Embora o Sudeste apresente os melhores indicadores, o Nordeste ainda concentra mais da metade da população brasileira em extrema pobreza. Além disso, 45% das crianças no Brasil vivem abaixo da linha da pobreza, reforçando a urgência de políticas inclusivas voltadas às gerações mais jovens.
Outro fator preocupante é a desigualdade racial: mais de 70% dos brasileiros em situação de pobreza extrema são negros, refletindo a persistência de disparidades históricas no país.
Próximos passos
O desafio agora é consolidar os avanços e promover uma recuperação mais equitativa, especialmente nas regiões e grupos mais vulneráveis. O IBGE destaca que, sem políticas consistentes de geração de emprego e ampliação da assistência social, a pobreza pode voltar a crescer.
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