Polícia Federal Indicia Pablo Marçal por Uso de Documento Falso Contra Boulos
- leonardothurler
- 8 de nov. de 2024
- 3 min de leitura
Empresário é acusado de publicar laudo médico falsificado para prejudicar adversário político; investigação conclui que documento é fraudado e assinatura, falsificada.

Pablo Marçal (PRTB). Crédito: Renato Pizzutto/Band
Nesta sexta-feira (8), a Polícia Federal formalizou o indiciamento de Pablo Marçal, ex-candidato à Prefeitura de São Paulo pelo PRTB, por suposto uso de documento falso nas eleições municipais de 2024. Marçal é acusado de compartilhar um laudo médico falsificado contra Guilherme Boulos (PSOL) nas vésperas do primeiro turno, em uma tentativa de descredibilizar o adversário. A perícia da PF concluiu que a assinatura no laudo não foi feita pelo médico registrado no documento, o falecido Dr. José Roberto de Souza, cuja assinatura e histórico foram investigados.
A ação de Marçal se tornou alvo de investigações logo após a publicação do documento em suas redes sociais. Com o indiciamento, a PF concluiu que há indícios sólidos para prosseguir com o caso, enviando o inquérito ao Ministério Público, que decidirá se transforma o empresário em réu em um processo criminal. Durante depoimento prestado na Superintendência da PF, em São Paulo, Marçal negou envolvimento direto na criação do documento, afirmando que a postagem foi realizada por sua equipe.
Conclusão da Perícia e Análise de Falsificação

No laudo pericial, divulgado pela PF em 7 de outubro, peritos avaliaram e compararam diferentes assinaturas ao longo dos anos do médico José Roberto de Souza. A investigação constatou que a assinatura no laudo não corresponde ao padrão gráfico do profissional, apontando evidências de falsificação. Além disso, o documento foi emitido digitalmente e não continha elementos de segurança necessários, o que dificultou ainda mais a validação de sua autenticidade.

A filha do médico, Aline Garcia Souza, também denunciou a irregularidade. Ela afirma que seu pai, falecido em 2022, nunca trabalhou na clínica mencionada no documento e jamais atuou em São Paulo na área de dependência química, conforme indica o laudo. "É um absurdo usarem o nome de meu pai em algo tão fora do que ele fazia", disse Aline.

Tatuagem mostra assinatura do pai de Aline Garcia, o médico José Roberto de Souza — Foto: TV Globo/Reprodução
Próximos Passos e Consequências para Marçal
Após o indiciamento, o processo deverá ser analisado pelo Ministério Público. Caso a denúncia seja oferecida e aceita pelo juiz, Marçal poderá se tornar réu por falsificação e uso de documento falso, o que pode impactar diretamente sua carreira política. A Justiça Eleitoral já ordenou que a postagem falsa fosse removida de redes sociais e suspendeu temporariamente os perfis de Marçal no Instagram. Além disso, Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal, convocou o empresário para depor sobre o uso de redes sociais durante a proibição.
A campanha de Boulos reagiu e solicitou à Justiça a prisão preventiva de Marçal e a cassação de sua candidatura, argumentando que a ação representa um atentado contra a ética nas eleições. O advogado de Boulos também afirma que a disseminação do documento falso trouxe "dano à moralidade pública e aos princípios da Administração Pública."
Impacto no Cenário Político e Consequências para a Sociedade
A utilização de informações falsas como estratégia eleitoral é um tema que tem gerado debates acalorados sobre os limites da propaganda política e a necessidade de um controle mais rigoroso sobre a disseminação de notícias falsas durante campanhas eleitorais. O caso Marçal pode servir de exemplo para legislações futuras e reforça a importância da fiscalização de documentos divulgados em momentos decisivos, como no período eleitoral.

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