Horário de Verão pode voltar em novembro, avalia Ministério de Minas e Energia
Medida será considerada se não houver melhora no cenário hídrico e poderá impactar planejamento de voos e eleições de 2024.
Após cinco anos sem vigorar, o horário de verão poderá ser reintroduzido no Brasil a partir de novembro. A informação foi divulgada pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, na quarta-feira (2), que afirmou que a medida está sendo considerada como uma alternativa viável diante da atual crise hídrica no país. O retorno do horário de verão dependerá da evolução do cenário climático, especialmente em relação às queimadas e à situação dos reservatórios de água.
O horário de verão, que foi extinto em 2019 pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, adiantava os relógios em uma hora durante parte do ano em algumas regiões do Brasil, com o objetivo de aproveitar mais a luz do dia e economizar energia. A possível volta da medida já é vista com preocupação por alguns setores, incluindo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e as companhias aéreas.
Impactos no planejamento aéreo e nas eleições
De acordo com Silveira, a volta do horário de verão foi tema de discussões com representantes do setor aéreo, incluindo o CEO da Azul Linhas Aéreas, John Rodgerson. Em uma reunião recente, Rodgerson afirmou que a mudança poderia beneficiar o país, mas alertou para a necessidade de tempo para adaptar as operações das empresas aéreas. “A reprogramação dos voos exige um prazo mínimo de 45 dias para ser implementada”, explicou o executivo, destacando que o impacto seria significativo tanto para as empresas quanto para a população, que precisaria se ajustar à nova rotina.
Além do setor aéreo, o TSE, por meio da ministra Cármen Lúcia, também expressou preocupações sobre o retorno do horário de verão. A mudança de horário teria consequências diretas no período de votação das eleições municipais de 2024, previstas para ocorrer no segundo semestre. “O horário de verão pode interferir no tempo de votação e na divulgação dos resultados, o que pode gerar confusão no processo eleitoral”, afirmou Cármen Lúcia em entrevista à Folha de S. Paulo.
Motivos para o fim e a possível volta do horário de verão
O horário de verão foi extinto pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em abril de 2019. Na época, o então presidente justificou a decisão com base em estudos que apontaram que a economia de energia obtida com a medida era mínima e que o impacto no relógio biológico da população era negativo, causando queda na produtividade. “Atendemos ao justo anseio da população brasileira”, disse Bolsonaro durante a cerimônia de assinatura do decreto que revogou o horário de verão. Segundo ele, pesquisas apontaram que mais de 70% dos brasileiros eram favoráveis ao fim da medida.
No entanto, com a atual crise energética e a necessidade de reduzir o consumo de eletricidade em períodos críticos, o governo federal voltou a considerar o uso do horário de verão como uma solução emergencial. O ministro Alexandre Silveira destacou que, se o cenário climático não melhorar nas próximas semanas, com a redução das queimadas e a recuperação dos níveis dos reservatórios, o retorno do horário de verão poderá ser anunciado oficialmente para novembro.
Estados afetados
Caso o horário de verão seja retomado, ele deverá ser aplicado nos mesmos estados que participavam antes da extinção da medida, entre os meses de outubro e fevereiro. Esses estados incluem: São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal.
A medida tem como principal objetivo reduzir a demanda por energia durante os picos de consumo, que geralmente ocorrem no final da tarde. Ao adiantar os relógios em uma hora, os dias “se alongam”, permitindo maior aproveitamento da luz solar e reduzindo a necessidade de iluminação artificial. Esse ajuste, no passado, gerava economia de energia, especialmente nas grandes cidades.
O retorno do horário de verão em novembro ainda depende de uma análise detalhada da situação hídrica no país e dos impactos da crise climática, como as queimadas. Enquanto o governo avalia essa possibilidade, setores estratégicos, como o transporte aéreo e a Justiça Eleitoral, já se mobilizam para se adaptar caso a medida seja aprovada.
Nos próximos dias, a decisão final sobre a volta do horário de verão deve ser anunciada, levando em consideração o cenário energético e os desafios logísticos que a reimplementação da medida trará para diversos setores. Independentemente do desfecho, a discussão já mostra o esforço do governo em buscar alternativas para enfrentar as adversidades climáticas e energéticas que o Brasil vem enfrentando.










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