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Famosos prestam homenagens ao poeta Antonio Cícero, morto por suicídio assistido

Foto do escritor: leonardothurler
leonardothurler
23 de out. de 2024
3 min de leitura

Artistas como Adriana Calcanhotto, Maria Bethânia e Roberto Frejat lamentaram a morte do filósofo e compositor aos 79 anos, após decisão de realizar eutanásia na Suíça


Escritor e filósofo morreu nesta quarta-feira - Foto: Companhia das letras/Divulgação


O mundo da música e da literatura brasileira está de luto após a morte do poeta, filósofo e compositor Antonio Cícero, aos 79 anos, na manhã desta quarta-feira (23), na Suíça. O acadêmico, membro da Academia Brasileira de Letras (ABL) desde 2017, optou por realizar suicídio assistido, motivado por um diagnóstico de Alzheimer e problemas neurológicos decorrentes da doença. Cícero deixou uma carta de despedida em que explicou sua decisão: "Como sou ateu desde a adolescência, tenho consciência de que quem decide se minha vida vale a pena ou não sou eu mesmo".


A notícia abalou artistas e amigos próximos, que utilizaram as redes sociais para prestar homenagens ao poeta. Adriana Calcanhotto, Maria Bethânia, Roberto Frejat e Lúcio Mauro Filho foram alguns dos nomes que expressaram seu carinho e tristeza pela perda de Cícero, irmão da cantora Marina Lima. "O mundo fica um pouco mais silencioso sem a poesia de Antonio Cícero", escreveu Frejat. Marina Lima, sua irmã, ainda não se pronunciou publicamente sobre o falecimento.


Quem foi Antonio Cícero?


Nascido no Rio de Janeiro, em 6 de outubro de 1945, Antonio Cícero Correia Lima deixou um legado imenso para a cultura brasileira. Formado em filosofia, ele foi um dos grandes nomes do pensamento crítico e literário no Brasil, além de ser um dos letristas mais requisitados da música popular brasileira. Entre suas composições mais famosas estão canções icônicas como "Fullgás", "Pra Começar" e "À Francesa", que marcaram a carreira de sua irmã, Marina Lima.


Antonio Cícero e a irmã, Marina Lima — Foto: Reprodução de Instagram


Cícero também colaborou com artistas renomados, como Lulu Santos, para quem escreveu o sucesso "O Último Romântico". Outras parcerias notáveis incluem nomes como João Bosco, Orlando Morais e Adriana Calcanhotto, sempre com a característica marcante de unir poesia e música de maneira única.


Em 2017, Antonio Cícero foi eleito para ocupar a cadeira 27 da Academia Brasileira de Letras, sucedendo o intelectual Eduardo Portella. Durante sua trajetória, publicou quatro livros de poesia: "Guardar" (1996), "A cidade e os livros" (2002), "Livro de Sombras" (2010) e "Porventura" (2012). Além disso, também deixou contribuições importantes no campo da filosofia, com ensaios como "O Mundo Desde o Fim" (1995) e "Poesia e Filosofia" (2012), que consolidaram sua visão crítica sobre a arte e o pensamento contemporâneo.


A escolha pelo suicídio assistido


A morte de Antonio Cícero por suicídio assistido na Suíça reacendeu discussões sobre o tema no Brasil, principalmente entre amigos e admiradores do poeta. O procedimento, permitido em alguns países europeus, foi a escolha de Cícero após enfrentar as dificuldades da doença neurodegenerativa. Em sua carta de despedida, ele reafirmou sua convicção ateísta e o desejo de não prolongar uma vida que, segundo ele, havia perdido o sentido diante da progressão do Alzheimer.


Um legado de poesia e pensamento


Antonio Cícero será lembrado como um dos maiores intelectuais do Brasil, com uma carreira marcada por sua visão filosófica e sua sensibilidade poética. Sua morte deixa uma lacuna no cenário cultural brasileiro, mas seu legado continuará vivo por meio de suas obras, canções e ensaios que inspiram e transformam gerações.

 
 
 

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