"Ainda Estou Aqui": Filme Brasileiro de Walter Salles Ganha Data de Estreia nos EUA e Entra na Corrida pelo Oscar
O drama histórico estrelado por Fernanda Torres e Selton Mello estreia nos cinemas americanos em janeiro e já é cotado para o Oscar 2025.
Ainda Estou Aqui | Trailer Oficial | 7 de novembro nos cinemas
O aguardado filme "Ainda Estou Aqui", dirigido por Walter Salles e protagonizado por Fernanda Torres, finalmente ganhou sua data de estreia nos Estados Unidos. O longa será exibido em Nova York e Los Angeles a partir do dia 17 de janeiro de 2025, garantindo sua elegibilidade para a disputa ao Oscar 2025. A estreia em outras cidades americanas está prevista para 14 de fevereiro, enquanto no Brasil, o filme chega aos cinemas no próximo 7 de novembro.
Baseado em uma História Real
O filme se passa no Brasil de 1971, em plena ditadura militar, e é inspirado nas memórias do escritor Marcelo Rubens Paiva sobre sua mãe, Eunice Paiva, vivida por Fernanda Torres. Rubens Paiva, engenheiro e ex-deputado federal, foi sequestrado por militares à paisana e desapareceu, em um dos mais emblemáticos casos de violência do regime militar. Eunice, mãe de cinco filhos, vê-se obrigada a enfrentar o regime e a se reinventar como ativista dos direitos humanos. Além de Fernanda Torres, o filme conta com a participação de Selton Mello, como Rubens Paiva, e a icônica Fernanda Montenegro em um papel emocionante no final da trama.
A Trama de "Ainda Estou Aqui"
A história começa em um ambiente familiar aparentemente tranquilo no Rio de Janeiro, com a casa dos Paiva localizada à beira-mar. O tom inicial é o de um lar acolhedor, com portas abertas para amigos e familiares. No entanto, esse cenário de tranquilidade é bruscamente interrompido quando Rubens Paiva é levado pela Polícia Militar e desaparece. Eunice, inicialmente uma dona de casa, se vê obrigada a lutar pela verdade sobre o paradeiro de seu marido, ao mesmo tempo em que precisa garantir o bem-estar dos filhos.
Com um roteiro sensível, escrito por Murilo Hauser e Heitor Lorega, o filme não precisa mostrar explicitamente as torturas ou a violência sofrida por Rubens Paiva. Em vez disso, foca no desespero da família diante da falta de respostas e na luta incessante de Eunice por justiça.

Selton Mello e Fernanda Torres em cena de 'Ainda estou aqui' — Foto: Divulgação
Fernanda Torres Brilha e Eleva o Filme
A atuação de Fernanda Torres já é amplamente elogiada pela crítica internacional, que destaca a profundidade emocional e a força contida que a atriz traz ao papel. Torres interpreta Eunice como uma mulher resiliente, que, apesar das circunstâncias devastadoras, mantém sua dignidade e se recusa a ser vencida pela dor. O contraste entre a leveza das cenas iniciais e o peso emocional do restante do filme torna a narrativa ainda mais impactante.
Em uma das cenas mais marcantes, Fernanda Montenegro aparece como a filha de Eunice, já adulta e afetada pelo Alzheimer. Mesmo com poucas falas, Montenegro prova por que é uma das maiores atrizes do Brasil, com uma interpretação tocante que ressoa com o público até o fim.

'Guilherme Silveira, Selton Mello, Cora Ramalho e Fernanda Torres em cena de 'Ainda Estou Aqui' — Foto: Divulgação
Sucesso Internacional e Indicação ao Oscar
"Ainda Estou Aqui" já recebeu diversos prêmios, incluindo o de melhor roteiro no Festival de Veneza, e vem sendo aclamado pela crítica internacional como uma obra que transcende o contexto brasileiro, tornando-se um drama universal sobre luta, perda e resiliência. Com o sucesso nas exibições da Mostra de São Paulo, o filme é visto como a maior chance do Brasil de ser indicado ao Oscar em mais de duas décadas, lembrando clássicos como "Central do Brasil" e "Cidade de Deus".
Um Alerta Contra o Fascismo
Embora seja baseado em uma história pessoal, o filme de Walter Salles levanta discussões amplas sobre os perigos do fascismo e regimes autoritários, algo que ecoa não apenas no Brasil, mas em todo o mundo. Com um olhar cuidadoso, Salles constrói uma obra que é ao mesmo tempo um retrato íntimo e um alerta global, mostrando como as tragédias pessoais e políticas estão intrinsecamente ligadas.
"Ainda Estou Aqui" não é apenas um relato de uma família, mas uma obra-prima que destaca a importância da memória, da resistência e do amor em tempos sombrios.









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