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A Origem da Rivalidade Entre Israel e Irã: uma síntese Histórica

Foto do escritor: leonardothurler
leonardothurler
2 de out. de 2024
3 min de leitura

Entenda como o conflito entre os dois países se intensificou ao longo das décadas, marcando a geopolítica do Oriente Médio.


O sistema antimísseis de Israel interceptou a maioria dos mísseis disparados pelo Irã nesta terça-feira - Reuters


Nesta terça-feira, 1º de outubro, ataques do Irã contra Israel reacenderam um conflito que já dura décadas, uma rivalidade que se tornou uma das principais fontes de instabilidade no Oriente Médio. Embora as tensões entre os dois países variem conforme o cenário geopolítico, a animosidade profunda entre Israel e Irã segue como um fator determinante na política da região.


Para o regime iraniano, Israel não tem o direito de existir. Desde a Revolução Islâmica de 1979, os governantes do Irã referem-se a Israel como o “pequeno Satã” — uma extensão do “grande Satã”, que é os Estados Unidos, aliado histórico de Israel. Em contrapartida, Israel acusa o Irã de financiar grupos terroristas e promover ataques que visam destruir o Estado israelense, baseados no antissemitismo propagado pelos aiatolás.


Getty Images - Khomeini e outros líderes da Revolução Islâmica simpatizavam com a causa dos palestinos contra Israel


Como começou a rivalidade?


As relações entre Israel e Irã já foram cordiais, especialmente durante o período anterior à Revolução Islâmica de 1979, quando o Irã era governado pelos xás da dinastia Pahlavi, grandes aliados dos Estados Unidos no Oriente Médio. Durante essa época, o Irã chegou a ser o segundo país islâmico a reconhecer Israel, depois do Egito.


No entanto, a Revolução liderada pelo aiatolá Ruhollah Khomeini mudou drasticamente o cenário. O novo regime impôs uma república islâmica no Irã e, entre suas prioridades, estava a rejeição total a Israel. Com a ascensão dos aiatolás ao poder, as relações foram rompidas, e a embaixada israelense em Teerã foi entregue à Organização para a Libertação da Palestina (OLP), o que simbolizava o apoio do novo governo iraniano à causa palestina.


Getty Images - O triunfo da Revolução Islâmica de 1979 no Irã marcou o início da rejeição iraniana a Israel


A "guerra nas sombras"


A partir da década de 1990, a rivalidade entre Israel e Irã passou a ser marcada por confrontos indiretos e ações secretas. Teerã, ao longo dos anos, construiu uma rede de aliados regionais, como o Hezbollah no Líbano e grupos na Síria, Iraque e Iêmen, para projetar sua influência e confrontar Israel. A partir de então, ambos os países passaram a trocar ataques, muitas vezes sem assumir responsabilidades publicamente.


Um dos focos de maior tensão tem sido o programa nuclear iraniano, que Israel vê como uma ameaça existencial. Em resposta, o Estado israelense realizou operações militares e cibernéticas, como o vírus Stuxnet, que sabotou instalações nucleares iranianas no início dos anos 2000. Além disso, cientistas iranianos relacionados ao programa foram assassinados, com o Irã frequentemente acusando Israel pelos ataques.


Majid Asgaripour/WANA via REUTERS - Iraniano pisa em bandeira de Israel durante comemoração em Teerã pelos ataques com mísseis nesta terça-feira (01/10)


A escalada recente


Desde 2023, a situação na região tem se agravado. Após os ataques do grupo Hamas contra Israel em outubro daquele ano, o conflito ganhou novas dimensões, com temores de uma escalada envolvendo diretamente o Irã. Em abril de 2024, ataques aéreos israelenses atingiram o consulado iraniano na Síria, matando oficiais iranianos, o que resultou em retaliações por parte do Irã.


Reuters - Ataque israelense em Nabatia, no sul do Líbano, onde Jussara e família moravam antes de fugir


O conflito, que começou como uma disputa ideológica e regional, evoluiu para uma “guerra nas sombras” envolvendo vários países e grupos armados no Oriente Médio. A rivalidade entre Israel e Irã continua a ser um dos principais pontos de tensão no cenário internacional, com desdobramentos imprevisíveis.

 
 
 

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